O produtor rural Lucas Scheffer, do município de Cacequi (RS), enfrenta uma conta que não fecha: são necessárias pelo menos 54 sacas de soja para cobrir apenas os custos de refinanciamento de suas dívidas. Segundo ele, as condições oferecidas pela recente Medida Provisória do governo federal, que prevê 10 anos para pagamento e dois de carência, não dão o fôlego necessário para a recuperação das lavouras gaúchas após sucessivas quebras de safra.
A realidade de Scheffer reflete a de centenas de produtores no Rio Grande do Sul que tentam se reerguer após eventos climáticos extremos. O custo de produção elevado, somado aos juros acumulados, transformou o crédito agrícola em um gargalo crônico. "A conta é simples e dolorosa: o que sobra da colheita atual mal cobre os juros da renegociação anterior", afirma o agricultor. Para entidades do setor, como a Aprosoja-RS, o endividamento do produtor gaúcho exige uma linha de crédito emergencial com juros subsidiados e prazos de carência mais realistas, já que as perdas de solo e infraestrutura de transporte na região exigirão investimentos de longo prazo que vão além do custeio básico da lavoura. Sem uma repactuação profunda, muitos correm o risco de abandonar a atividade nas próximas temporadas.