A derrubada da Moratória da Soja na Amazônia pode resultar na perda de 1,4 milhão de hectares de floresta até 2050. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Science, elevando a temperatura do debate entre produtores e ambientalistas às vésperas de decisões cruciais no Supremo Tribunal Federal (STF).
O pacto ambiental, firmado em 2006 entre exportadores de grãos e a sociedade civil, impede a compra de soja cultivada em áreas da Amazônia desmatadas após 2008. Embora seja considerado essencial por grandes tradings para garantir o acesso do grão brasileiro ao exigente mercado europeu, o acordo sofre forte oposição de associações de produtores rurais. O argumento do setor produtivo é que as regras do pacto vão além das exigências do Código Florestal, limitando o direito de uso legal da terra. De acordo com os pesquisadores do estudo, a extinção da moratória poderia desencadear uma nova corrida de expansão agrícola sobre áreas de floresta nativa. O impasse sairá do campo das ideias e voltará ao STF em agosto, onde os ministros devem julgar ações judiciais que questionam a validade jurídica das restrições comerciais impostas pelo acordo privado.