Produtores de café de Chapada de Minas querem ganhar mercado

Os produtores de café dos vales Mucuri e Jequitinhonha estão se organizando para desenvolver a identidade “Café da Chapada de Minas”. Além da fundação de uma entidade representativa, que deve ocorrer em breve, os cafeicultores estão investindo na participação de feiras, cursos e visitando outras regiões produtoras para adquirirem experiência e desenvolverem ações locais. O objetivo é diferenciar o grão colhido na região, agregar valor, abrir mercados e divulgar a qualidade superior do produto.
De acordo com o analista técnico do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais) – microrregião de Capelinha, Julian Rodrigues, a divisão das regiões produtoras é um conceito que o poder público encontrou para ter delimitações de áreas conforme valores econômicos e sociais, clima e demais características semelhantes.
A região da Chapada é integrada por 22 municípios localizados nos vales do Mucuri e do Jequitinhonha. Trata-se de uma região de grande extensão territorial e com produção significativa, em torno de 400 mil sacas de 60 quilos de café por ano.
“A busca da organização em entidade, seja cooperativa ou associação, tem como objetivo promover o fortalecimento dos produtores para que a região avance, aumentando o volume produtivo, a qualidade e a renda. Os produtores estão caminhando para criar e ter uma entidade representante”, enfatizou Rodrigues.
Perfil
A cafeicultura da Chapada de Minas é formada por aproximadamente 3 mil cafeicultores, que produzem juntos cerca de 400 mil sacas de 60 quilos ao ano, em uma área média de 40 mil hectares. Em função das condições de relevo da região, mais de 70% da área plantada são aptas ao uso de mecanização, o que facilita o manejo da lavoura e permite a produção de cafés de elevada qualidade.
Praticamente 100% da produção são de variedade arábica, com destaque para o Catuaí e Mundo Novo. Cerca de 80% da produção é exportada e os demais 20% destinados as torrefadoras locais.
Ao fundar uma associação ou cooperativa, os produtores poderão buscar mais formas de valorização do café da região, seja pela IG (Identificação Geográfica), pelo Comércio Justo, Fair Trade e demais certificações disponíveis para o grão.
A produção de café é responsável pelo desenvolvimento de vários municípios na região, mas é preciso organizar as governanças. Nesse sentido, o Sebrae está auxiliando na organização e, para isso, fez um diagnóstico da região, onde foi identificado o número de produtores, o volume de produção, o potencial da atividade e os impactos nos municípios.
“Foi criado um grupo de produtores, chamado Governança do Café Chapada de Minas. Os cafeicultores participam de oficina, cursos, palestras, missões em outras regiões para conhecer a realidade e a aplicar na região”, explica Rodrigues.
Organização é importante para cafeicultores
A produtora de café em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, Maria Manuela Andrade diz que a organização dos produtores da região em cooperativa ou associação será importante para que a atividade ganhe força. A identificação regional também será uma forma de diferenciar os cafés e ampliar a rentabilidade da cultura.
“Os esforços são importante para diferenciar a produção da região, agregar valor e mostrar que o café da Chapada de Minas é diferenciado e de alta qualidade. Queremos criar uma marca de origem, o que é bem avaliado no mundo, como acontece com os vinhos, por exemplo. A iniciativa também é importante para incentivar os investimentos em produtos especiais”, ressalta.
A organização da cafeicultura também é avaliada como uma forma de os produtores conseguirem mais autonomia na hora de comercializar a safra. Por não ter entidades que representam o setor na região, a maior parte da produção é comercializada no Sul de Minas, sendo os preços definidos pelos compradores.
A empresária e também produtora de café Carmen Lydia Junqueira Puliti Meirelles acrescenta que há necessidade de os produtores locais se organizarem. “É preciso fazer um trabalho amplo para divulgar e conscientizar os produtores da região sobre a importância do projeto. Estamos no segundo ano da governança, é um trabalho difícil, mas que caminha aos poucos”, observa.
Carmen observa que, este ano, foi fechado parceria com a Cooperativa Minas Sul, de Varginha (Sul de Minas), que instalou um escritório em Capelinha e está alugando um armazém. “Acredito que a iniciativa dará mais visibilidade ao nosso café”, comemora.
Outra iniciativa que vem contribuindo para a melhor qualidade dos cafés da região é a parceria firmada entre a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e a Cooperativa Minas Sul, que está levando o programa Cafe+Forte para atender o pequeno produtor que tem dificuldades de acesso à assistência técnica.
Potencial
Ainda segundo Carmen, a região da Chapada de Minas tem grande potencial para a produção de cafés especiais, principalmente devido ao clima e da não ocorrência de geadas. Esses fatores têm atraído grandes grupos para a região, como o Café Três Corações.
Aproveitando o potencial dos cafés especiais, Carmen, que é proprietária da Torrefação Bia, tem investido na linha de café gourmet. Segundo ela, esse mercado é promissor, principalmente, por agregar valor e não ser afetado pelas oscilações das cotações internacionais dos cafés comuns.
Na linha de cafés gourmet, a Torrefação Bia utiliza as variedades Aranãs e Catiguá MG2, desenvolvidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (Epamig). Essas variedades, além de resultados positivos em relação à produção, tem agradado os clientes devido a alta qualidade da bebida.
“Trata-se de cafés diferenciados, que são negociados a preços 100% superiores aos pagos pelos comuns. É uma iniciativa que pode servir de exemplo para os demais produtores da região investirem em produtos especiais”, revela a empresária.